terça-feira, 3 de novembro de 2020

QUAL É O PAPEL DAS ELEIÇÕES MUNICIPAIS 2020?



Aproveitei este texto na ocasião de congratular o mês dos professores, parabenizando Eric John Ernest Hobsbawm, por não nos deixar esquecer que a "Era das Catástrofes", marcada pela virada do século XIX para o XX com a emergência do fascismo, a Social Democracia Alemã destacava que a via eleitoral era inútil para bloquear o fascismo em curso; para tanto, convocou os operários a se enfileirarem por trás da candidatura burguesa menos pior. O problema é que as propostas fascistas ganharam adesão de massa, diante da falência da política eleitoreira profissional dos partidos burgueses e pequeno-burgueses em gerir as instituições administrativas, de quaisquer níveis, do capitalismo em crise. Por isso, não restam dúvidas de que os atuais programas eleitorais televisionados, sobretudo os tracionais com direito a rádio e TV, estão contaminadas de muita demagogia, democratismo e possibilismos. Propor a supressão o déficit habitacional na capital do pequi, por exemplo, é uma dessas pérolas. Em verdade, eleições seguidas de propostas genéricas tem sido a regra nas últimas eleições da ordem.

A questão principal, creio, não está só na sequência de fatos do processo eleitoral em si ou nas propostas administrativas irrealizáveis. A questão central, hoje, está no fato de que as eleições municipais, em todo o Brasil, podem indicar ou não o avanço da política protofascista, da política do pogroms (termo cunhado pelos russos para caracterizar a violência de rua, a destruição e o antissemitismo como estratégia política) à brasileira. Essa deverá ser a questão norteadora nos programas partidários da esquerda compromissada com a classe de trabalhadores de todos os níveis da cadeia de produção capitalista: proletariado (responsáveis pela produção de riquezas) e as classes médias trabalhadoras (responsáveis pela circulação das riquezas produzidas); ambas tão drasticamente vilipendiadas pela crise do capital, potencializada pela atual pandemia do novo corona vírus.

Infelizmente, essa questão central não tem feito parte dos programas eleitorais até aqui; no caso de Goiânia, nem por parte do programa "Coragem para Mudar", cujo partido fora alvo direto e dramático da política de violência pogromista da qual mencionei. Ou seja, se lhes faltam "coragem" até para denunciar seus algozes anticivilizatórios, em defesa da democracia que temos, como o teria para brigar contra a burguesia especuladora do ramo imobiliário para atingir o feito de dar a cada goianiense sem habitação uma moradia? A resposta pode se limitar a parcerias público-privado, é claro. Por isso, talvez a morfologia partidária de que tratou Iasi são os pressupostos para nada esperar de ousado ou novo. Inclusive, provavelmente foi essa mesma morfologia politica "nutellamente" regressiva que fez cair a ficha de um importante marxista e professor universitário goianiense a deixar o "Socialismo e Liberdade".

Não obstante às diferenças, o que une lagartos a borboletas é o combate aos nossos predadores, cuja nomenclatura é aparentemente identificada como protofascismo. É aparente, porque tal movimento não pode ser facilmente nominado (como nos advertiu Konder, ao tentar compreender o fenômeno de tipo semelhante na Europa). A direita - cujo fascismo foi/é a espécie - tem se evidenciado um bocado complexa, e sua composição social e política tem se mostrado ser cada vez mais opaca. Opaca, porque não dá para tomar sua essência a olho nu. Os marqueteiros são muito bons no que fazem.

As últimas pesquisas eleitorais nos faz um tanto otimistas em relação ascensão deles. A partir das pesquisas eleitorais atuais, é possível notar um declínio gradual de candidatos PSListas nos pleitos às prefeituras de quase todas as capitais brasileiras. Em muitas capitais brasileiras, tais candidatos não chegam a 5% das intenções dos votos; noutras, como Belo Horizonte, nem candidatos lançaram. No entanto, o cinismo partidário não tem fim: ao lado do PSL, das 150 candidaturas à prefeito, 44 delas formam coligação com o PT e 24 com PCdoB. Já do lado do PT, das 994 candidaturas à prefeito, 93 formaram coligações com o PSL. O número total de coligações é ainda maior, já que, em algumas cidades, ambos se juntaram para apoiar um candidato de outro partido, como o MDB, por exemplo. Aliás, PT e MDB formam centenas de alianças políticas, como se não houvesse um golpe em 2016. O PCdoB, que segue sendo sombra do petismo, também faz sua parte e dos 321 candidatos à prefeito, 39 tem o apoio do PSL, destaca o Jornal POR.

Mas, mesmo que tais pesquisas relatem relativamente a realidade, as frentes progressistas não devem apenas derrotá-los, mas derrotá-los esmagadoramente, pegando, descompromissadamente, as palavras de  Joe Biden em relação à possível vitória sobre Trump nos EUA.